Embalo de sábado à noite 01/02/2010
Posted by charlesnisz in jornalismo, música.Tags: columbia, dylan, like a rolling stone, música, ny times
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O embalo do primeiro sábado de 2010 é um clássico: Like a Rolling Stone, de Bob Dylan. O título surgiu numa viagem de Dylan à Inglaterra em 1965. A música foi gravada poucas semanas depois, em 15 de junho, mas a gravadora Columbia ainda adiaria o lançamento por um mês, conforme conta este texto do New York Times.
Segundo os diretores da gravadora, “a empresa vendia bem jazz, country, gospel e outros gêneros. Mas rock?” O mesmo erro, anos antes, fizera a gravadora dispensar um rapaz chamado Elvis Presley e recusar a lançar o primeiro álbum dos Beatles nos EUA em 1963.
Mas o problema com Like a Rolling Stone era outro: a duração da música. Nos anos 60, um single para rádio durava por volta de três minutos. A canção de Dylan tinha longos seis minutos. O “Rei Salomão” da gravadora sugeriu o absurdo: “Corte ao meio”. O cantor recusou, obviamente.
O desinteresse pela música não foi ao acaso. A gravadora estava de mudança para a sede na Sexta Avenida e a direção da empresa vivia uma luta pelo poder. Um memorando mudava o status de Like a Rolling Stone de “lançamento especial” para “lançamento a ser designado”. Traduzindo, o single iria parar no limbo e logo seria cancelado, dada a vastidão de músicas esperando para serem lançadas.
Com a mudança da gravadora, muitos singles seriam jogados fora. Um dos diretores pegou o disco de Like a Rolling Stone e levou para casa – queria ouvir no final de semana. “O efeito foi o mesmo quando eu a ouvi pela primeira vez: coração acelerado e vontade de sacudir o corpo”, contou Shaun Considine.
Considine levou o disco ao Arthur Club, em Manhattan e disse ao DJ “que executasse a música caso sobrasse algum tempo”. Por volta de 11 da noite, o DJ atendeu o pedido: o salão inteiro dançou os seis minutos da música e pediram bis. Muitos perguntaram quem era o autor e o DJ gritou “Bob Dylan”. Dois DJs de rádio estavam presentes e no dia seguinte, ligaram para a Columbia, requisitando uma cópia do single.
A gravadora se rendeu, mas lançou a música em dois singles de 3:02 de duração cada em 15 de julho – um mês após a gravação original. A teimosia da Columbia foi vencida pelos DJs: eles gravaram as metades numa só fita e a executavam por completo.
Na semana seguinte, a música já constava na lista da Billboards. Quando agosto chegou, ela já estava na segunda posição. Like a Rolling Stone ainda ficaria no topo das paradas de sucesso por três meses. A gravadora decidiu renovar o contrato de Dylan e o resto, entrou na História…
A Wikipedia tem um bom artigo em inglês sobre a música e os bastidores da composição, edição e lançamento da música. Este post do blog português Congeminações cita uma matéria da revista inglesa Uncut, que considera Like a Rolling Stone a produção cultural mais impactante dos últimos 50 anos. No vídeo abaixo, minha versão preferida, gravada no acústico da MTV.
PS – Quem conhece a música sabe, mas muita gente acha que Like a Rolling Stone tem a ver com a banda de Mick Jagger e companhia. Mas a história é sobre uma “patricinha” do Village, bairro cult de Nova York (a Vila Madalena em São Paulo guarda alguma semelhança). Não há provas cabais, mas há rumores que a história seja real…
Pintando de vermelho 12/02/2009
Posted by charlesnisz in blogosfera, conversa.Tags: AIDS, camisinha, doenças, educação, facebook, namoro, saúde, sexo, twitter
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Dia 1/12 foi o dia de blogar pela inclusão digital. Mas também foi dia mundial da luta contra a AIDS. Respondendo ao convite da @samegui (Samantha Shiraishi) – ainda que algumas horas atrasado – resolvi escrever algumas linhas juntando os dois temas.
As fortes campanhas no Facebook e no Twitter chamaram a atenção. Ambos os sites pintaram suas interfaces de vermelho. O lema do Facebook era “unidos por uma cor”; já o microblog tingiu de rubro todos os posts com a tag #red.


Imagem: Jornal Tecnologia
Um aspecto interessante da campanha do Twitter foi a disseminação de informações e links sobre a doença. Desde aspectos técnicos, sociais, exames e estatísticas. Duas impressionam: dos 33 milhões de aidéticos no mundo, 22 milhões (ou 66%) estão na África. Mais um motivo para fortalecer a ajuda econômica, humanitária e de inclusão digital naquele continente.
A outra tem a ver com a saúde feminina e o casamento. Quando a AIDS surgiu, em meados dos anos 80, havia uma mulher contaminada para cada 25 homens. Hoje, a proporção é praticamente de um para um. Muitas dessas mulheres são contaminadas por seus maridos.
Isso leva ao ponto que desejo abordar com esse post. Não adianta pintar o seu Twitter de vermelho se não houver uma ação prática. Todos nós temos a obrigação de usar preservativo e de fazer exames de sangue anuais – e cobrar isso do parceiro/namorado/esposo. Pensando de modo mais amplo, cobrar a manutenção das políticas governamentais contra a doença: distribuição de remédios, seringas e camapanhas educativas.
O dia de ontem foi chamado de Blogging ACTION Day pela inclusão digital. Vamos usar a informação disseminada na Internet para AGIR no mundo.
É hora de agir 10/19/2009
Posted by charlesnisz in blogosfera, clima.Tags: 350.org, aquecimento global, cop15, copenhagen, kyoto, mudanças climáticas, ONU, tictac
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Já falei bastante sobre a COP15 neste blog. De 7 a 18 de dezembro de 2009, a ONU irá realizar uma reunião em Copenhagen para estabelecer um acordo sobre o clima e substituir o protocolo de Kyoto.
A Campanha Global de Ações pelo Clima conhecida como TicTac, TicTac, O tempo está passando se juntou ao Movimento 350.org – que defende a redução da quantidade de dióxido de carbono na atmosfera para 350 partes por milhão (ppm) – para lançar o Dia de Ação pelo Clima – 24 de outubro.
O objetivo é mobilizar os cidadãos e mostrar aos governantes a necessidade de um acordo eficaz para combater o aquecimento global. Em risco, a sobrevivencia humana.
No dia 24, qualquer atividade é válida para lembrar e discutir as mudanças climáticas: encontro, discussão, passeata, apitaço, panelaço, mutirões. Todas as ações estão sendo registradas em um mapa mundial. Você pode incluir a sua ou buscar uma próxima de você para participar. Já há mais de 2400 ações registradas de mais de 150 países.
Participe você também!
27 empresas respondem por 8,5% das emissões brasileiras de gases do efeito-estufa 10/09/2009
Posted by charlesnisz in clima, meio ambiente.Tags: ces, co2, efeito-estufa, fgv, mudanças climáticas, petróleo, petrobras, sao paulo, transporte
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O dado foi divulgado durante o lançamento do programa Empresas pelo Clima, uma iniciativa do Centro de Estudos de Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV), escola de administração brasileira. No total, essas empresas emitiram 85,2 milhões de toneladas de CO2.
A maior emissora foi a Petrobrás, com 51 milhões de toneladas. Com a descoberta de novas reservas submarinas de petróleo, a estatal deve aumentar sua participação no ranking. Para ler o relatório completo clique aqui.
Quando analisamos os dados obtidos pelo CES junto às 27 empresas percebemos que a maioria das emissões provém do transporte. Segundo Fábio Feldmann, secretário do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas, mais da metade das emissões de São Paulo, maior cidade brasileira, saem dos escapamentos dos carros.
Um dado sobre a logística de transporte brasileira é alarmante: 60% dos caminhões que trafegam por São Paulo circulam vazios. Ou seja, quase dois terços das viagens não são aproveitados. Além do dano ambiental, há o encarecimento dos produtos (mal) transportados.
Das 27 empresas que inventariaram suas emissões de gases do efeito-estufa, 11 já fazem parte do programa Empresas pelo Clima. Essa plataforma pretende criar bases regulatórias para ajudar na adaptação econômica às mudanças climáticas.
Podemos tirar duas rápidas conclusões sobre a iniciativa: assim como nos Estados Unidos, são as empresas e a sociedade civil a pressionar o governo federal para a adoção de medidas contra o aquecimento global. A segunda está relacionada com a percepção das empresas sobre a necessidade da transição para a economia de baixo carbono no Brasil.
Um outro mundo é possível 10/05/2009
Posted by charlesnisz in clima, jornalismo, meio ambiente.Tags: índia, brasil, china, ciência, co2, cop15, copenhagen, dinamarca, ejc, EUA, jornalismo, meio ambiente, mudanças climáticas, national geographic, ong, pib, samso, soren hermansen, th!nk about, ue
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Um email confirmou minha participação na competição sobre mudanças climáticas da Th!nk About com outros 80 blogueiros de 40 países. Leava na mala umas poucas roupas e 2,5 toneladas de carbono, emitidas para vencer os 13 mil quilômetros entre São Paulo e Copenhagen.
A capital dinamarquesa me recebeu ensolarada naquele domingo de 20 de setembro. O lugar é lindo – impossível não gostar dos prédios com tijolinhos à mostra, do metrô limpo e com informação fácil. Poucos carros nas ruas e o aspecto silencioso da capital dinamarquesa também chamam a atenção. No fim da tarde, uma andança pelo centro da cidade com a Deborah Goldemberg, Diego Casaes e Enzo Voci. Pouco antes, já havia encontrado a Letizia Gambini e o Peter Sain Berry no saguão do hotel. A noite caiu e voltamos do Tivoli Park.
Segunda de manhã rumamos para o Bella Center, onde acontecerá a reunião da COP15, entre 7 e 18 de Dezembro – e onde hoje o Rio de Janeiro foi escolhido como sede das Olimpiadas de 2016. Uma inglesa, um esloveno, duas romenas, dois brasileiros e eu compunham o grupo.
A primeira palestra do dia é proferida por Svend Olling, representante do Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca. Olling nos conta que o evento será totalmente sustentável e que as emissões de CO2 dos transportes usados pelos participantes – inclusive as de aviões – serão compensadas.
Dos 40 mil participantes, metade serão de Organizações Não-Governamentais. A chegada de todas essas pessoas representará um aumento de 2,5% na população de Copenhagen. Isso torna ainda mais louváveis os esforços de logística e de sustentabilidade do evento.
Jornalismo foi o tema da mesa redonda com Tasha Eichenseher (National Geographic), Gerald Traufetter (Der Spiegel, revista alemã), Ramesh Jaura (IPS) e Asbjorn Jorgensen (professor da Escola de Jornalismo de Arhus). O desafio do jornalismo ambiental é traduzir as mudanças climáticas para o público. Ou ainda, nas singelas palavras de Wilfried Rütten do EJC: “(Blogueiros) deem voz àqueles cuja voz é mais fraca que a de vocês”.
Isso mostra como as mudanças climáticas são um problema também de diálogo e de comunicação. Sem falar nos aspectos políticos e economicos. Para quem gosta da relação entre meio ambiente e finanças, recomendo o blog Environmental Economics”. Mudanças climáticas são um problema de grande impacto visual, e por isso, aposto em fotos – veja esta galeria da NG – e vídeos para mostrar como o aquecimento global já está afetando nosas vidas. Além disso, as plataformas multimídia permitem narrações criativas e interessantes sobre ciência. O exemplo mais interessante que eu vi é – ironicamente – a história de uma caçada de baleias.
No entanto, a criatividade é só o primeiro passo. Boa informação depende de boas fontes e uma saída é acompanhar o que os pesquisadores da área de mudanças climáticas estão fazendo.Sugiro o Eurekalert.org – site que agrega publicações científicas do mundo todo antes mesmo de elas serem publicadas.
Tudo isso mostra como o Jornalismo terá um papel mais importante do que os políticos na discussão sobre o meio ambiente daqui em diante. O que a mídia pautar será discutido e isso pode aproximar ou afastar as pessoas. Para aproximá-las, devemos aproveitar o conteúdo e o conhecimento trazido por elas – é por em prática o Jornalismo colaborativo. Mostrar os interesses envolvidos no tema e como isso afeta o cotidiano de todos.
O mote para as duas palestras seguintes foi o papel da União Européia no combate às mudanças climáticas. Ainda que os planos do Velho Continente sejam bons, as ações precisam ser globais e abarcar todas as nações. Só assim poderemos ter um acordo efetivo na COP15. Uma pergunta interessante: por que devemos cobrar da China maior eficiência na produção de bens de consumo? É fácil cortar as nossas emissões de CO2 e delegar a produção à China e Índia. Em tempo: ambos os países estão se comprometendo com o acordo. A dificuldade está em conseguir atitudes firmes dos EUA e do Brasil – para minha decepção.
Lutar contra o aquecimento global irá exigir cerca de 1% do PIB mundial (US$ 600 bi ao ano). Mas não agir será ainda pior: pode haver uma retração de até 20% do PIB mundial até 2050 caso não tomemos medidas efetivas contra as mudanças climáticas, segundo o relatório Stern. O efeito positivo dessa constatação é que isso deverá fazer os empresários pressionarem os governos de seus países até dezembro.
Ao final do primeiro dia de atividades, um sopro de esperança: Soren Hermansen vem conversar conosco sobre Samso, ilha dinamarquesa totalmente sustentável. Em 1997, Samso resolveu mudar o modo como obtém energia, por conta dos choques do petróleo. O Guardian e a Wikipedia escreveram sobre o projeto. O sucesso da empreitada fez a revista Time escolher Hermansen como o herói do clima em 2008.
Penso que herói não é a palavra correta para definir esse inovador – apaixonado é a melhor escolha. As palvaras soam alto e as piadas fazem rir os 80 blogueiros. De modo vibrante, ele aponta as razões para o sucesso da ilha de Samso: empregos verdes, economia local, democracia energética e independência do financiamento governamental e claro, planejamento a longo prazo.
Entretanto, Hermansen sabe fazer suspense e guarda o principal motivo – na minha opinião – para o final da sua apresentação: envolver a comunidade no investimento financeiro e na tomada de decisões no projeto. “Isso as faz se sentirem integradas e responsáveis sobre cada coisa em Samso”.
Essa foi uma das melhores palestras que eu já assisti e o governo dinamarquês devia patrocinar Hermansen para que ele falasse sobre Samso mundo afora.
Foi com esse espírito de esperança que saí do auditório do Bella Center, com o vento soprando e o sol já caindo sobre Copenhagen. No dia seguinte, iríamos visitar a Ecovila de Dysselkilde, 35 km ao norte da capital. Lá eu veria todos os conceitos explicados por Hermansen colocados em prática. (Continua…)
Estamos recrutando voluntários 09/16/2009
Posted by charlesnisz in conversa.Tags: aquecimento global, blogue, copenhagen, mudanças climáticas, tictac, twitter
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Parece que a sustentabilidade fez sucesso nos últimos dias, neste blogue. Os dois termos mais buscados por quem chegou até aqui: sustentabilidade e meio ambiente. Para quem gosta do tema, agora também escrevo no blogue Lixo Eletrônico e já tem duas colunas minhas lá. Para ler, clique aqui e aqui.
Faltam só três dias para o embarque para Copenhagen. Muita coisa para ler e pesquisar para ficar afiado e fazer bons posts durante a competição. Os preparativos para a viagem se resumem a fazer a mala e confirmar o voo.
A divulgação da empreitada tem sido boa. O Twitter tem funcionado bem como multiplicador da participação deste blogueiro. Cabe um agradecimento à @jufernandesrp @isabelleramos @sustentabilizar @deh_bastos @samegui @cassita e @lixoeletronico por espalharem os posts deste blogueiro por aí.
Foi bastante gratificante ver este post da Telma Ito, do (ótimo) RedeRP, falando sobre o concurso. Assim como é legal receber um email inesperado dos coordenadores da campanha TicTacTicTac, uma ação ambiental, política e comunicacional sobre a urgência das mudanças climáticas. Houve a proposta de uma parceria e logo haverão novidades neste blog.
Quer se engajar na luta contra o aquecimento global? Você pode fazer isso organizando ações na sua comunidade para acontecerem no dia 21 de setembro. Clique aqui para mais detalhes. Tem um blogue? Então seja um propagador dessa ideia. Pode ensinar algo a alguém? Proponha uma oficina ou ação educativa na sua escola. Estamos recrutando voluntários para o exército de combatentes das mudanças climáticas.
Siga o dinheiro 09/10/2009
Posted by charlesnisz in Tecnologia, clima.Tags: biocombustíveis, carvão, energia, energia renovável, energia solar, mudança climática, ONU, painéis solares, petróleo, sol, watergate
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A frase do título remete ao caso Watergate. Na cobertura do arrombamento ao escritório do Partido Democrata em Washington, os repórteres Bernstein e Woodward não achavam meio de descobrir os culpados. Até que Mark Felt, a fonte oculta de Woodward dispara: “Vá atrás dos pagamentos feitos aos criminosos. Siga o rastro das notas.”
Poderemos aplicar o mesmo raciocínio ao noticiário sobre mudanças climáticas e fontes de energia. Exemplo são duas matérias publicadas no portal Envolverde.
Na primeira, temos uma entrevista com um secretário do Ministério de Minas e Energia. Segundo Altino Ventura Filho, “ainda não existem fontes de energia alternativas suficientes para substituir os combustíveis fósseis”. Impressiona como o lobby do carvão e do petróleo – ainda mais com a descoberta das reservas do pré-sal – é forte. Clique aqui para ler a matéria completa.
O segundo texto noticia um estudo do Departamento de Estudos Econômicos e Sociais da ONU sobre a importância da produção limpa para combater a mudança climática. De acordo com o relatório, será necessário cortar de 50% a 80% das emissões para evitar o avanço do aquecimento global. Matéria completa aqui.
Fica a impressão de uma reprodução acrítica dos discursos dos atores político-econômicos por parte da mídia. A indústria do petróleo enfrenta desafio semelhante ao das indústrias fonográfica e editorial: por quê devemos pagar por um produto ou serviço caro e ineficiente? No caso energético, com o agravante de poluir o ambiente.
Cabe aos meios de comunicação esclarecer os leitores e fornecer os subsídios para a melhor escolha dos produtos e políticas a serem seguidas pela sociedade. Correndo o risco de me tornar repetitivo, a mídia não pode apenas informar. Ela precisa discutir e propor novas maneiras de viver e produzir, dado o fenômeno das mudanças climáticas.
Seria interessante ver mais discussões sobre outras fontes de energia além dos biocombustíveis e do petróleo. Nos EUA, há muito se debate sobre a adoção de equipamentos para obtenção de energia vinda do Sol.
Um dos sites americanos especializados em energia é o Energy Collective. Para a maioria das pessoas, instalar painéis solares ainda é uma aquisição cara. Esta matéria mostra cinco maneiras baratas de usar esse tipo de energia de modo eficiente.
Mas qual é a razão a explicar o alto preço da energia solar? Os painéis respondem apenas por 50% do preço. A outra metade corresponde à instalação, impostos e licenças de uso. Ou seja, há um componente extratecnológico impedindo uma maior adoção da energia solar.
Isso não deve desanimar quem pretende abastecer sua casa com energia limpa e renovável. O preço da instalação de painéis caiu de US$10 por watt para US$ 7,5 nos EUA. Um dado animador.
São Paulo e as mudanças climáticas 09/01/2009
Posted by charlesnisz in clima, economia.Tags: agenda 21, aquecimento global, biodigestores, brasil, china, clima, co2, cop-15, copenhagen, desmatamento, EUA, feldmann, gases, greenpeace, ipcc, kyoto, mudança climática, ONU, stern, usp, wwf
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Quando falamos em mudanças climáticas, as imagens que vêm à mente são as inundações causadas pelo Katrina em New Orleans, o tsunami da Ásia ou o tufão em Taiwan. Mas o aquecimento global também afeta a nossa cidade, pode apostar.Pensando nessas mudanças e preparando-se para o encontro da COP-15 em Copenhagen, a prefeitura de São Paulo realizou, no último sábado (29), o I Encontro Municipal sobre Mudanças Climáticas.
Realizado no auditório do MAC/USP, no Ibirapuera, o evento teve a presença de Eduardo Jorge, Secretário Municipal do Meio Ambiente. Além do Secretário, estavam presentes: Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina da USP; Fábio Feldman, coordenador do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas; Carlos Alberto Matos, do WWF; e Sérgio Leitão, coordenador de campanhas do Greenpeace Brasil.
O evento teve como inspiração a contagem regressiva dos 100 dias para Conferência da ONU sobre o clima, a ser realizada entre 7-18 de dezembro, em Copenhagen. No Ibirapuera foi instalado um dos oito relógios a marcarem a contagem para o evento na Dinamarca.
Eduardo Jorge abriu o Encontro com uma frase que resume bem a expectativa sobre a COP-15: “o aquecimento global é o problema social/econômico/ambiental mais grave em todo mundo”. De acordo com o Secretário, “nao podemos deixar a responsabilidade somente para os países desenvolvidos”.
O enfrentamento às mudanças climáticas demanda uma forma diferente e viver, produzir e consumir. Irá exigir mudanças de rotinas e hábitos. Faz sentido, quando pensamos que 70% das emissões de gases na cidade são provenientes de combustíveis fósseis (leia-se: carro) e outros 20% são emitidos pelas 14 mil toneladas de lixo produzidas diariamente em São Paulo.
Com o intuito de se preparar para a nova realidade, São Paulo conta com uma Lei sobre mudanças climáticas desde 5 de junho. Uma das consequências foi a captação do metano produzido nos aterros sanitários da cidade: a medida causou uma redução de 20% na emissão de gases e o combustível é usado para alimentar dois biodigestores. Mas, como bem frisou Eduardo Jorge, a coletiva seletiva em São Paulo ainda é ineficiente. Isso só faz aumentar a necessidade de iniciativas para educar e conscientizar a população.
Fábio Feldmann fez um histórico das reuniões da ONU sobre clima, a começar pela conferência “O homem e o ambiente”, realizada em 1972. Lembrou ainda a posição brasileira sobre a relação entre desenvolvimento e meio ambiente: “O Brasil precisaria se desenvolver e crescer, para depois pensar no ambiente”, dizia-se à época.
No entanto, no fim dos anos 80, a descoberta do buraco na camada de ozônio chama a atenção para o aquecimento global e as emissões de gases do efeito-estufa. Já no Brasil, o foco da discussão voltou-se para o desmatamento da Amazônia, que atingiu a marca de 200 mil quilômetros quadrados (equivalente à quatro Áustrias).
Em 1992, a ONU realiza a conferência Rio/92 (maior das reuniões da ONU) e cria a Agenda 21 – acordo sobre desenvolvimento sustentável. Quatro anos antes, havia sido criado o Painel Intergovernamental sobre mudanças climáticas e biodiversidade (IPCC).
Segundo Feldmann, há grande probabilidade (98%) de existir o aquecimento global e a previsão mais otimista prevê uma elevação de 0,5 a 3,8 graus num período de 100 a 500 anos. Para impedir esse aquecimento, seria necessário reduzir 60% das emissões dos gases do efeito-estufa. Isso não foi feito e iniciativas como o Protocolo de Kyoto (específico sobre as emissões de gases do efeito-estufa) falharam. A principal dificuldade é o estabelecer metas para as reduções e um calendário para implementar as medidas.
Temos 92 meses – menos de 8 anos – para AGIR. A partir desse prazo, se não forem implementadas medidas contra o aquecimento global, o dano será irreversível, segundo o IPCC. O protocolo de Kyoto serve como comparação: o acordo foi assinado em 1992 e implementado somente em 2007. Para a COP-15, a idéia é estabelecer um teto de aumento em 2 graus entre 2007 e 2050; isso exigiria que as emissões fossem cortadas até um patamar idêntico à 20% das emissões verificadas em 1990.
Um relatório publicado pelo economista Nicholas Stern, em 2006 alertava: “o custo de não tomar as medidas contra as mudanças climáticas serão mais caros do que os gastos para implementar as mudanças”. Uma das conclusões do relatório: com um investimento de apenas 1% do PIB Mundial se pode evitar a perda de 20% do mesmo PIB num prazo de simulação de 50 anos.
Dentre as dificuldades, estão a recusa norte-americana em aprovar um acordo se comprometendo à reduzir as emissões. O governo Obama aprovou uma lei que só entra em vigor a partir de 2025. Os países em desenvolvimento relutam em não ratificar um acordo: China (maior emissor) e Brasil (5o maior emissor) alegam que a redução iria comprometer o crescimento econômico.
Cerca de 75% das emisões basileiras provém do desmatamento. Eis mais um motivo para lutar pela manutenção da floresta. Mas as emissões não relacionadas com o desmatamento crescem a cada dia. É a prova cabal da necessidade de alternativas aos combustíveis fósseis e de uma produção e consumo sustentáveis.
Educação para a sustentabilidade 08/29/2009
Posted by charlesnisz in atualidade, clima.Tags: educação, sustentabilidade
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A motivação para este post foi o convite da Samantha Shiraishi, do blog A vida como ela quer, por conta de uma ação do Santander em mídias sociais para divulgar a educação para a sustentabilidade. Disso surgiu uma promoção para blogueiros que discutem o tema.
1. Se você tem um blog, escreva um texto sobre educação para sustentabilidade
2. Para que o texto faça parte da ação, coloque final do mesmo a seguinte frase com os links nas palavras em negrito: esse texto é parte da ação sobre Educação para Sustentabilidade (link: http://charlesnisz.wordpress.com/2009/08/29/educacao-para-a-sustentabilidade/), promovida pelo Grupo Santander Brasil (link: http://www.bancoreal.com.br/sustentabilidade).
3. Divulgue seu texto no Twitter minimizando a URL do mesmo no migre.me.
4. Após publicar seu texto e divulgá-lo no Twitter usando o migre.me, volte a este post e deixe aqui no campo de comentários o seguinte:
- Texto: (link do texto)
- Twitter: (mensagem no Twitter com o link do migre.me)
O conceito é cada vez mais usado, mas nem todo mundo sabe o seu significado ou pratica atitudes sustentáveis. Em linhas gerais, ser sustentável é usar os recursos naturais e econômicos de forma a garantir a existência das gerações atuais sem comprometer a sobrevivência das gerações futuras.
Não é simples mudar comportamentos, padrões de consumo, o modo de extração, produção e distribuição de todos os bens necessários à nossa subsistência. A única saída é a educação. Só ela pode ensinar como utilizar de modo eficiente os recursos disponíveis no planeta.
Durante o Sustentável 2009 – congresso sobre sustentabilidade acontecido de 4 a 6 de agosto, aqui em São Paulo – um dos eixos temáticos versava exatamente sobre educação.
Um consenso entre os debatedores é a necessidade de adequar os conteúdos escolares à essa temática. As mudanças previstas envolvem a gestão escolar, eficiência energética, gestão dos recursos, da água, dos resíduos sólidos. Também passa pela necessidade das escolas se tornarem espaço onde as crianças possam vivenciar esse conceito na prática.
Muitas vezes, achamos que a sustentabilidade e as ações para usar os recursos naturais de forma eficiente dependem de grandes mudanças. Seguem algumas dicas aplicáveis no dia-a-dia. Pequenas atitudes, causadoras de grandes impactos positivos.
- Trocar as lâmpadas de casa por iluminação fluorescente, como explica esta matéria. A economia de energia elétrica chega a 40%
- Reciclagem: qualquer material pode ser reaproveitado. Lonas de caminhão podem ser reutilizadas para confeccionar roupas
- Usar sacolas de pano em vez das sacolas plásticas
- Exigir das empresas produtos sustentáveis e eficientes
Por fim, deixo dois links: o primeiro tem aulas sobre sustentabilidade elaboradas pela Revista Nova Escola em parceiria com o site Planeta Sustentável. O segundo é um teste para saber se seus hábitos são antenados com a natureza e a melhor maneira de usar os recursos.
Seca de informação 08/27/2009
Posted by charlesnisz in clima.Tags: chuva ácida, clima, cop-15, copenhagen, mídia, mudança climática
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Vamos falar sobre um fenômeno quase esquecido e o papel da mídia na discussão sobre as mudanças climáticas. Em poucos segundos, esta matéria da (ótima) revista Slate me fez voltar aos anos 80. Naquela época, eu era um garoto de 8 ou 9 anos de idade e a chuva ácida era o principal assunto da temática ambiental.
Como diz a reportagem, a chuva ácida foi chamada de “tmalária da biosfera“. Mas, a despeito da literatice do Primeiro Ministro canadense, o problema ainda não foi resolvido. “De acordo com o Relatório de Emissões dos EUA, as emissões de dióxido de enxofre cairam de 26 milhões de toneladas em 1980, para 11,8 milhões em 2008. Já as emissões de óxidos nitrosos cairam de 27 milhões de toneladas para 16,3 milhões no mesmo período”, segundo a revista.
Os cientistas, duas décadas atrás, foram acusados de “serem alarmistas”, exagerando os efeitos da chuva ácida nos lagos do Hemisfério Norte. Mesmo com a dramática redução das emissões de poluentes, o nível do pH das chuvas passou de 5,0 (valor original) para 4,0 nos anos 70. Isso significa que as águas desses lagos estão com uma acidez 10 vezes maior do que a original.
Mas o que a mídia discute sobre a chuva ácida hoje em dia? O espectro e o nível da discussão é quase nulo. Esse é o primeiro ponto e essa péssima constatação nos leva ao segundo ponto.
Atualmente, todos que apontam evidências sobre o aquecimento global são considerados alarmistas. A mídia desempenhará papel decisivo na discussão desse grave problema. A Cop-15, reunião da ONU sobre o clima, marcada para 7-18 de Dezembro em Copenhage só irá ser efetiva se os participantes tiverem propostas fortes e realizáveis para enfrentar as mudanças climáticas.
Mais do que isso, a mídia precisa não apenas informar, mas explicar e mostrar aos cidadãos COMO mudar as atitudes e enfrentar o aquecimento global.
PS – O post de hoje é a tradução do texto publicado na comunidade do Th!nk About. Os posts da competição serão publicados segundo este mesmo esquema. Gostaria que vocês lessem o original e comentassem LÁ. A versão portuguesa, será lida aqui

