O caminho e o rumo 03/02/2009
Posted by charlesnisz in conversa, jornalismo, mídia, música.Tags: áudio, blogosfera, chateubriand, chatice, clique, diarios associados, edição, foco, leitor, leitura, let down, mídia, morte, radiohead, rocky mountain, seo, texto, twitter, vídeo
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Em tempos onde tudo parece estar fora do lugar, a pergunta mais fácil a se fazer é: E agora, para onde? Ron Groo me pergunta se Chateubriand teria um blogue se estivesse vivo. Não tivesse ele um blogue, contrataria o melhor dos blogadores para o site do Diários Aassociados, aposto. Chatô tentaria se aproveitar da crise da mídia para crescer ainda mais.
Enfrentando o risco de parecer repetitivo, falarei de novo sobre mídia. Quando vão parar com essa estultice de “velha mídia, nova mídia”? A única coisa que funciona são boas histórias, pouco importando o meio onde elas serão veiculadas. Viciado em leitura, tenho pouco apreço por som e vídeo. Desde que o editor seja inteligente para formatar a reportagem aos diferentes públicos, faz diferença se está em texto, áudio ou vídeo?
Ou as empresas jornalísticas entendem isso ou casos como a morte da versão impressa do Rocky Mountain News virarão rotina. Faltaram as coroas e as velas, por que na redação do jornal teve até choro. A reunião final foi noticiada via Twitter. Ironia pouca é bobagem…
Escrever é um ofício traiçoeiro, pois imaginava outro rumo e tema para este post. A Ana Carolina, nos comentários do post Esclarecimentos e respostas devidas, em 06/02, me perguntou: o que é foco?
Prezada, segundo os cânones da blogosfera brasileira, quiçá global, o blogador deveria escrever sobre um mesmo tema dia após dia. Usar o Google Trends para saber quais os termos mais buscados pelos leitores a chegar ao seu diário. Toda essa trabalheira para subir no ranking de buscas e então cair nas graças do deus Google, a entidade máxima da Internet. O que seria do mundo sem as estratégias de otimização de busca?
Claro, há também o propósito de fidelizar o leitor, estabelecer uma linha editorial e todas as leis que regiam o jornal impresso. Mas como seguir uma lei como essa num meio onde se pode passar de um assunto a outro com um simples clique? Para não falar da chatice de ter um blogue monotemático.
PS - Let Down, do Radiohead, grudou no ouvido. Outra indicação sensacional do Ron Groo. A continuar assim farei dele o editor da sessão Embalos de sábado à noite.
PS 2 - Ron: no aguardo do link para a resenha do Sticky Fingers

Talvez uma ou outra parte da imprensa ainda não tenham entendido que jornalismo online é jornalismo…
Quanto aos blogs monotemáticos serem chatos, bom… Já vi bogs monotemáticos muito chatos, e também blogs muito chatos que tratam de diversos assuntos. Não creio que a chatice seja monopólio de um ou de outro lado.
Permita-me discordar em um ponto. Quando você diz: “Desde que o editor seja inteligente para formatar a reportagem aos diferentes públicos, faz diferença se está em texto, áudio ou vídeo?”. Eu respondo: faz.
Os diferentes tipos de suporte se prestam melhor a contar uma ou outra história. Mas é evidente que boas histórias continuam a ser o mais importante.
Pense nisso: imagine organizar as informações apuradas por John Hersey para “Hiroshima” em um suporte parecido com o Second Life, onde fosse possível caminhar pelos escombros de cidade depois da queda da bomba. Não seria uma forma fantástica de contar essa história?
Seria. Mas nem o mais visionário editor poderia imaginar isso à época. Quem discorda agora sou eu: contar essa história com o Second Life é fácil. Difícil é fazer as pessoas “enxergarem” Hiroshima destrída usando papel e letras. O meu ponto é que as pessoas se preocupam tanto com o suporte mas esquecem de contar a história mesma. Hiroshima é um roteiro de filme. Inacreditável é pensar que ninguém resolveu filmar. Mas confesso que a sua idéia me empolgou!