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É hora de agir 10/19/2009

Posted by charlesnisz in blogosfera, clima.
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Já falei bastante sobre a COP15 neste blog. De 7 a 18 de dezembro de 2009, a ONU irá realizar uma reunião em Copenhagen para estabelecer um acordo sobre o clima e substituir o protocolo de Kyoto.

A Campanha Global de Ações pelo Clima conhecida como TicTac, TicTac, O tempo está passando se juntou ao Movimento 350.org – que defende a redução da quantidade de dióxido de carbono na atmosfera para 350 partes por milhão (ppm) – para lançar o Dia de Ação pelo Clima – 24 de outubro.

O objetivo é mobilizar os cidadãos e mostrar aos governantes a necessidade de um acordo eficaz para combater o aquecimento global. Em risco, a sobrevivencia humana.

No dia 24, qualquer atividade é válida para lembrar e discutir as mudanças climáticas: encontro, discussão, passeata, apitaço, panelaço, mutirões. Todas as ações estão sendo registradas em um mapa mundial. Você pode incluir a sua ou buscar uma próxima de você para participar. Já há mais de 2400 ações registradas de mais de 150 países.

Participe você também!

27 empresas respondem por 8,5% das emissões brasileiras de gases do efeito-estufa 10/09/2009

Posted by charlesnisz in clima, meio ambiente.
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O dado foi divulgado durante o lançamento do programa Empresas pelo Clima, uma iniciativa do Centro de Estudos de Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV), escola de administração brasileira. No total, essas empresas emitiram 85,2 milhões de toneladas de CO2.

A maior emissora foi a Petrobrás, com 51 milhões de toneladas. Com a descoberta de novas reservas submarinas de petróleo, a estatal deve aumentar sua participação no ranking. Para ler o relatório completo clique aqui.

Quando analisamos os dados obtidos pelo CES junto às 27 empresas percebemos que a maioria das emissões provém do transporte. Segundo Fábio Feldmann, secretário do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas, mais da metade das emissões de São Paulo, maior cidade brasileira, saem dos escapamentos dos carros.

Um dado sobre a logística de transporte brasileira é alarmante: 60% dos caminhões que trafegam por São Paulo circulam vazios. Ou seja, quase dois terços das viagens não são aproveitados. Além do dano ambiental, há o encarecimento dos produtos (mal) transportados.

Das 27 empresas que inventariaram suas emissões de gases do efeito-estufa, 11 já fazem parte do programa Empresas pelo Clima. Essa plataforma pretende criar bases regulatórias para ajudar na adaptação econômica às mudanças climáticas.

Podemos tirar duas rápidas conclusões sobre a iniciativa: assim como nos Estados Unidos, são as empresas e a sociedade civil a pressionar o governo federal para a adoção de medidas contra o aquecimento global. A segunda está relacionada com a percepção das empresas sobre a necessidade da transição para a economia de baixo carbono no Brasil.

Um outro mundo é possível 10/05/2009

Posted by charlesnisz in clima, jornalismo, meio ambiente.
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Um email confirmou minha participação na competição sobre mudanças climáticas da Th!nk About com outros 80 blogueiros de 40 países. Leava na mala umas poucas roupas e 2,5 toneladas de carbono, emitidas para vencer os 13 mil quilômetros entre São Paulo e Copenhagen.

A capital dinamarquesa me recebeu ensolarada naquele domingo de 20 de setembro. O lugar é lindo – impossível não gostar dos prédios com tijolinhos à mostra, do metrô limpo e com informação fácil. Poucos carros nas ruas e o aspecto silencioso da capital dinamarquesa também chamam a atenção. No fim da tarde, uma andança pelo centro da cidade com a Deborah Goldemberg, Diego Casaes e Enzo Voci. Pouco antes, já havia encontrado a Letizia Gambini e o Peter Sain Berry no saguão do hotel. A noite caiu e voltamos do Tivoli Park.

Segunda de manhã rumamos para o Bella Center, onde acontecerá a reunião da COP15, entre 7 e 18 de Dezembro – e onde hoje o Rio de Janeiro foi escolhido como sede das Olimpiadas de 2016. Uma inglesa, um esloveno, duas romenas, dois brasileiros e eu compunham o grupo.

A primeira palestra do dia é proferida por Svend Olling, representante do Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca. Olling nos conta que o evento será totalmente sustentável e que as emissões de CO2 dos transportes usados pelos participantes – inclusive as de aviões – serão compensadas.

Dos 40 mil participantes, metade serão de Organizações Não-Governamentais. A chegada de todas essas pessoas representará um aumento de 2,5% na população de Copenhagen. Isso torna ainda mais louváveis os esforços de logística e de sustentabilidade do evento.

Jornalismo foi o tema da mesa redonda com Tasha Eichenseher (National Geographic), Gerald Traufetter (Der Spiegel, revista alemã), Ramesh Jaura (IPS) e Asbjorn Jorgensen (professor da Escola de Jornalismo de Arhus). O desafio do jornalismo ambiental é traduzir as mudanças climáticas para o público. Ou ainda, nas singelas palavras de Wilfried Rütten do EJC: “(Blogueiros) deem voz àqueles cuja voz é mais fraca que a de vocês”.

Isso mostra como as mudanças climáticas são um problema também de diálogo e de comunicação. Sem falar nos aspectos políticos e economicos. Para quem gosta da relação entre meio ambiente e finanças, recomendo o blog Environmental Economics”. Mudanças climáticas são um problema de grande impacto visual,  e por isso, aposto em fotos – veja esta galeria da NG – e vídeos para mostrar como o aquecimento global já está afetando nosas vidas. Além disso, as plataformas multimídia permitem narrações criativas e interessantes sobre ciência. O exemplo mais interessante que eu vi é – ironicamente – a história de uma caçada de baleias.

No entanto, a criatividade é só o primeiro passo. Boa informação depende de boas fontes e uma saída é acompanhar o que os pesquisadores da área de mudanças climáticas estão fazendo.Sugiro o Eurekalert.org – site que agrega publicações científicas do mundo todo antes mesmo de elas serem publicadas.

Tudo isso mostra como o Jornalismo terá um papel mais importante do que os políticos na discussão sobre o meio ambiente daqui em diante. O que a mídia pautar será discutido e isso pode aproximar ou afastar as pessoas. Para aproximá-las, devemos aproveitar o conteúdo e o conhecimento trazido por elas – é por em prática o Jornalismo colaborativo. Mostrar os interesses envolvidos no tema e como isso afeta o cotidiano de todos.

O mote para as duas palestras seguintes foi o papel da União Européia no combate às mudanças climáticas. Ainda que os planos do Velho Continente sejam bons, as ações precisam ser globais e abarcar todas as nações. Só assim poderemos ter um acordo efetivo na COP15. Uma pergunta interessante: por que devemos cobrar da China maior eficiência na produção de bens de consumo? É fácil cortar as nossas emissões de CO2 e delegar a produção à China e Índia. Em tempo: ambos os países estão se comprometendo com o acordo. A dificuldade está em conseguir atitudes firmes dos EUA e do Brasil – para minha decepção.

Lutar contra o aquecimento global irá exigir cerca de 1% do PIB mundial (US$ 600 bi ao ano). Mas não agir será ainda pior: pode haver uma retração de até 20% do PIB mundial até 2050 caso não tomemos medidas efetivas contra as mudanças climáticas, segundo o relatório Stern. O efeito positivo dessa constatação é que isso deverá fazer os empresários pressionarem os governos de seus países até dezembro.

Ao final do primeiro dia de atividades, um sopro de esperança: Soren Hermansen vem conversar conosco sobre Samso, ilha dinamarquesa totalmente sustentável. Em 1997, Samso resolveu mudar o modo como obtém energia, por conta dos choques do petróleo. O Guardian e a Wikipedia escreveram sobre o projeto. O sucesso da empreitada fez a revista Time escolher Hermansen como o herói do clima em 2008.

Penso que herói não é a palavra correta para definir esse inovador – apaixonado é a melhor escolha. As palvaras soam alto e as piadas fazem rir os 80 blogueiros. De modo vibrante, ele aponta as razões para o sucesso da ilha de Samso: empregos verdes, economia local, democracia energética e independência do financiamento governamental e claro, planejamento a longo prazo.

Entretanto, Hermansen sabe fazer suspense e guarda o principal motivo – na minha opinião – para o final da sua apresentação: envolver a comunidade no investimento financeiro e na tomada de decisões no projeto. “Isso as faz se sentirem integradas e responsáveis sobre cada coisa em Samso”.

Essa foi uma das melhores palestras que eu já assisti e o governo dinamarquês devia patrocinar Hermansen para que ele falasse sobre Samso mundo afora.

Foi com esse espírito de esperança que saí do auditório do Bella Center, com o vento soprando e o sol já caindo sobre Copenhagen. No dia seguinte, iríamos visitar a Ecovila de Dysselkilde, 35 km ao norte da capital. Lá eu veria todos os conceitos explicados por Hermansen colocados em prática. (Continua…)